16.6.08

Dissonâncias


Não, a vida não é justa! pensou ela

justa fosse não descompassariam os amores

a ridícula rima amor/dor seria coisa de novelas

tema pra boleros de discutíveis qualidades


Justa fosse

quereres seriam simples prazeres


“O amor é frio como a morte!”

quando ouviu essa frase pela primeira vez,

vinda da boca de um ator em cena

se riu e não creu, mas cráu...

a vida é cruel


Entrou certa vez em um mar tão gelado,

mas tão gelado, que era difícil perceber que estavam no verão

e seu coração machucado, mais frio que o mar,

descompassado reafirmou-lhe

─ “...frio como a morte!”


improvável e insuportável temperatura

no que se supunha mero músculo pulsante


e o mais improvável (e não menos insuportável)

é que continuava viva,

falava, caminhava, cuidava

ria e chorava


até que um dia

a desagradável lembrança não era mais que isso

lembrança

que quando aflorava trazia consigo

(tanto tempo depois!)

rastros do insuportável,

do que nunca, em hipótese alguma

viveria novamente


até que um dia

quando pensou que a musica se faria...


dissonâncias


cráu,

a vida...





01/07

Um comentário:

Toim disse...

Bacana demais seu blog Luiza, parabéns. Bjs do Toim.