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23.10.08
20.10.08
Ainda sobre Abismos (mas ja passa...tudo passa)
"Eu chorava, no começo eu chorava e não entendia, apenas não entendia, e não entender dói, e a dor fazia com que eu chorasse, no começo." (Caio Fernando Abreu)
Pensou em dar um oi, mas recuou. Ao oi talvez viesse resposta e a resposta inevitavelmente mudaria o rumo de seus pensamentos. Não que gostasse dos pensamentos que ora tinha. Não que gostasse de qualquer pensamento dos últimos dias. Andava impiedosa consigo.
Sentiu-se muito irresponsável por ter uma filha. O escuro é de certa forma genético e ela pode ver nos olhos da filha seus rastros, a profundeza de poço, de quem vê beleza em poços.
Temia, mas relevava, já que ambas sabiam ser gentis, alegres e... Torcia para que a filha não tivesse a mesma incompetência que ela pras tarefas banais do dia a dia. Não haveria espaço para isso, imaginou, fazendo um absurdo paralelo de como a incompetência nos amores banais do dia a dia do pai com a menina, não havia deixado a si, nenhum espaço pra desamores nesse sentido.
Quanto a outros amores, ela não entendia, apenas não entendia.
12.10.08
"quem gosta de abismos, tem q ter asas" *
era dia de abismo e ela sem asas
sabia que a paixão era pela paixão
e não pelo objeto dela, escolhido quase a esmo
dia de fuck you all, de tanto faz
a unica lástima a preguiça de sair pra comprar mais cerveja
não iria cuidar de ninguém, muito menos de si mesma
só essa necessidade de vomitar, de gritar no branco da tela
"fuck you all !!!!!!!!!!!!!"
fuck you todos que a lembram e imaginam como a melhor foda
a mais confiável confidente!
enganam-se, não confiem, nem ela confia nela
teve futebol hoje, sabe, não desconfia
sempre tem futebol
fuck you, não interessa saber quem ganhou nem quem jogou
mas não adianta, contam, 4X0, do Brasil na Venuzela
Ah...tá
e alguém se afogou, uma criança, contam também
Ah...tá
não interessa
não há nada que interesse
nada tão interessante quanto o abismo
pena, que justo hoje, estava sem asas
e com essa sede ridícula
de amor e de cerveja
*frase q ouvi de Abu desde sempre, mais que provavelmente citando alguém, que não tenho a mínima idéia de quem seja
10.8.08
16.6.08
Os x da lição
o professor manda escrever um poema
Na tentativa de cumprir a missão
qualquer coisa vira inspiração
Tomo da faca parto reparto
expremendo das palavras suposta canção
Uma delas se debate, esperneia, chicoteia
faz alvoroço, quase pula em meu pescoço
brada aos quatro ventos algo que não entendo
Por fim, em meio a tamanha gritaria, ouço a que se referia
− Volte pra escola, ora bola!
Com x ?! Mas o que é que eu fiz?!
Assim me recuso a te dar meu sumo!
com o respeito que se deve a quem
está prestes a ser alma grafada errada
respondo
─ Não vês que foi apenas força de espressão?
(quase levo um segundo bofetão!)
10/06
Dissonâncias
Não, a vida não é justa! pensou ela
justa fosse não descompassariam os amores
a ridícula rima amor/dor seria coisa de novelas
tema pra boleros de discutíveis qualidades
Justa fosse
quereres seriam simples prazeres
“O amor é frio como a morte!”
quando ouviu essa frase pela primeira vez,
vinda da boca de um ator em cena
se riu e não creu, mas cráu...
a vida é cruel
Entrou certa vez em um mar tão gelado,
mas tão gelado, que era difícil perceber que estavam no verão
e seu coração machucado, mais frio que o mar,
descompassado reafirmou-lhe
─ “...frio como a morte!”
improvável e insuportável temperatura
no que se supunha mero músculo pulsante
e o mais improvável (e não menos insuportável)
é que continuava viva,
falava, caminhava, cuidava
ria e chorava
até que um dia
a desagradável lembrança não era mais que isso
lembrança
que quando aflorava trazia consigo
(tanto tempo depois!)
rastros do insuportável,
do que nunca, em hipótese alguma
viveria novamente
até que um dia
quando pensou que a musica se faria...
dissonâncias
cráu,
a vida...
01/07
15.6.08
11/06
Tecladas Notívagas
09/06
09/06