16.6.08


s
u
s
piro



não
nunca mais
mais

seu mais ou menos
trouxe o menos
pro mais
que era a minha paz




06/08





Os x da lição


o professor manda escrever um poema


Na tentativa de cumprir a missão

qualquer coisa vira inspiração

Tomo da faca parto reparto

expremendo das palavras suposta canção


Uma delas se debate, esperneia, chicoteia

faz alvoroço, quase pula em meu pescoço

brada aos quatro ventos algo que não entendo

Por fim, em meio a tamanha gritaria, ouço a que se referia


− Volte pra escola, ora bola!

Com x ?! Mas o que é que eu fiz?!

Assim me recuso a te dar meu sumo!


com o respeito que se deve a quem

está prestes a ser alma grafada errada

respondo

─ Não vês que foi apenas força de espressão?


(quase levo um segundo bofetão!)



10/06


Mentirinha


- Jura?
- Juro.
- Mesmo que Aldebarã despenque do céu ?
- Ainda assim, contigo nunca hei de ser cruel.


09/06

Dissonâncias


Não, a vida não é justa! pensou ela

justa fosse não descompassariam os amores

a ridícula rima amor/dor seria coisa de novelas

tema pra boleros de discutíveis qualidades


Justa fosse

quereres seriam simples prazeres


“O amor é frio como a morte!”

quando ouviu essa frase pela primeira vez,

vinda da boca de um ator em cena

se riu e não creu, mas cráu...

a vida é cruel


Entrou certa vez em um mar tão gelado,

mas tão gelado, que era difícil perceber que estavam no verão

e seu coração machucado, mais frio que o mar,

descompassado reafirmou-lhe

─ “...frio como a morte!”


improvável e insuportável temperatura

no que se supunha mero músculo pulsante


e o mais improvável (e não menos insuportável)

é que continuava viva,

falava, caminhava, cuidava

ria e chorava


até que um dia

a desagradável lembrança não era mais que isso

lembrança

que quando aflorava trazia consigo

(tanto tempo depois!)

rastros do insuportável,

do que nunca, em hipótese alguma

viveria novamente


até que um dia

quando pensou que a musica se faria...


dissonâncias


cráu,

a vida...





01/07

15.6.08



Chata! Chata! Chata!


me chamou de chata!
nem uma, nem duas, mas isso vezes três
achatando assim meu amor de vez
amor, aliás, não nutrido de paixão
mas de amizade com sabor de tesão
esse
descoberto do nada,
depois de anos de relação desestressada

amigos podem chamar amigos de chatos, mas
engraçado...
não lembro de por ele assim ser chamada
nos tempos de foda não consumada
por 25 anos, chata não fui
declarava desejos bestas, mundanos
e o bom amigo ouvia, atendia
ou, ao menos,
ria e entendia

curioso,
antes não se importava em servir
se isso me fazia sorrir
e se chorava, não pensava que era porque o cobrava
até oferecia o ombro e me consolava!

terá alguma coisa o gozo,
conseqüência do bem querer,
a ver com meu discurso causar desprazer?
- tomara que não!

quereres, tão simples
andam agora na corda bamba

será que só disse mesmo querer também ir na escola de samba?

a palavra antes sem trava
se não se policia agora torna-se
amarra
pedir atenção num piscar virou
prisão
e o que era curiosidade, insuportável
cobrança de fidelidade

Sei não, amigo, préstenção!
Que chateação !

11/06

Tecladas Notívagas

não é segredo que tenho um amor
um amor que não carece cárcere
e que quase de amar se basta
eu e meu amor, a gente se fala por computador
bits bytes
0 e 1
nunca 2, que isso a maquina não entende
meu amor mora longe
tecladas notívagas enchem nossas noites
de uma música feita cá e lá sem sol nem fá
se as vezes faz frio, como hoje, chega a dar dó
de mim recolhida nesse cobertor

mas ele mora no Rio, vai saber se lá tá calor



09/06
Depois da Yoga

num sussurro maroto o garoto
me propõe um tantra
esperto
vê que me encanta
e por certo
se acha diferente
ao me envolver num sexo transcendente

entoando mantras
vou ao seu covil
me enovelo na metafísica
do movimento sutil

mas um olhar sacana
logo tudo desvela
menino, deixa de bobagem
trepada bacana é pura sacanagem

09/06