s
u
s
piro
não
nunca mais
mais
seu mais ou menos
trouxe o menos
pro mais
que era a minha paz
06/08
Os x da lição
o professor manda escrever um poema
Na tentativa de cumprir a missão
qualquer coisa vira inspiração
Tomo da faca parto reparto
expremendo das palavras suposta canção
Uma delas se debate, esperneia, chicoteia
faz alvoroço, quase pula em meu pescoço
brada aos quatro ventos algo que não entendo
Por fim, em meio a tamanha gritaria, ouço a que se referia
− Volte pra escola, ora bola!
Com x ?! Mas o que é que eu fiz?!
Assim me recuso a te dar meu sumo!
com o respeito que se deve a quem
está prestes a ser alma grafada errada
respondo
─ Não vês que foi apenas força de espressão?
(quase levo um segundo bofetão!)
Dissonâncias
Não, a vida não é justa! pensou ela
justa fosse não descompassariam os amores
a ridícula rima amor/dor seria coisa de novelas
tema pra boleros de discutíveis qualidades
Justa fosse
quereres seriam simples prazeres
“O amor é frio como a morte!”
quando ouviu essa frase pela primeira vez,
vinda da boca de um ator em cena
se riu e não creu, mas cráu...
a vida é cruel
Entrou certa vez em um mar tão gelado,
mas tão gelado, que era difícil perceber que estavam no verão
e seu coração machucado, mais frio que o mar,
descompassado reafirmou-lhe
─ “...frio como a morte!”
improvável e insuportável temperatura
no que se supunha mero músculo pulsante
e o mais improvável (e não menos insuportável)
é que continuava viva,
falava, caminhava, cuidava
ria e chorava
até que um dia
a desagradável lembrança não era mais que isso
lembrança
que quando aflorava trazia consigo
(tanto tempo depois!)
rastros do insuportável,
do que nunca, em hipótese alguma
viveria novamente
até que um dia
quando pensou que a musica se faria...
dissonâncias
cráu,
a vida...